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Mercado
09/10/2015

Oferta de produtos para passageiros em trânsito é desafio dos aeroportos

Período de espera de embarque varia, em média, de uma a duas horas. Para aumentar receita dos pontos comerciais, os terminais devem trabalhar em estratégias de gestão e localização eficientes

Para elevar a receita, aeroportos no País devem transformar o tempo de espera dos embarques em uma oportunidade da negócios. Agora, os terminais devem ter no radar as necessidades dos diversos públicos - viajantes, acompanhantes e funcionários - para aumentar os ganhos em meio à queda no fluxo de viagens.
No Aeroporto do Rio Galeão, por exemplo, um passageiro com voo doméstico tem mais de uma hora de espera, já nos voos com destinos internacionais o período excede duas horas. Para o diretor comercial do aeroporto, Sandro Roberto Fernandes, o segredo para alcançar a rentabilidade é saber aproveitar esse momento e permitir que essas horas sejam convertidas em compras e serviços.
"O aeroporto traz uma dinâmica particular, diferente dos outros espaços de compra. É necessário oferecer facilidade e rapidez, para que o passageiro consiga aproveitar as lojas e serviços sem atrapalhar um horário de embarque da viagem", explica.
O diretor destacou que o RIOgaleão é o segundo aeroporto internacional mais movimentado do País e, por dia, o fluxo do visitantes é de 100 mil pessoas, o equivalente ao mesmo público que visita um grande shopping center.
Atento ao tempo dos passageiros, e o potencial de público, o terminal investiu em aéreas de embarques exclusivas para voos domésticos e internacionais. O objetivo é oferecer opções alinhadas ao perfil dos passageiros. Entre algumas opções presentes no mezanino do aeroporto estão a instalação de marcas locais, alimentos, bebidas e varejo de especialidades.
Segundo Fernandes, a escolha de lojas com marcas locais faz parte da proposta de tornar o aeroporto um espaço marcante para os passageiros. "Queremos transmitir características cariocas como o espírito divertido, despojado, sofisticado e antenado", revela.

Alimentação

Atento a distribuição de lojas, com atenção aos diversos públicos, a oferta de alimentação diversificada é uma outra preocupação do terminal, segundo o diretor comercial do RIOgaleão. "Temos lanchonetes populares no terminal 2 e em breve serão inseridas no terminal 1 e também investimos em máquinas automáticas com alimentos."
Para promover uma concorrência que possa influenciar no preço e no sortimento dos produtos, o aeroporto está com processo de licitação aberto e irá receber propostas tanto para empresas nacionais como internacionais.
Quem também destaca a importância de investir nessa experiência marcante é o vice-presidente da consultoria norte-americana ICF, Abbas Mirza. "Todos os aeroportos são similares, mas precisam mostrar o sabor que o seu aeroporto tem. Pois às vezes o passageiro só se dá conta do lugar onde está pela moeda. Por isso, é precisa focar na experiência do passageiro".
Para o consultor, muitas vezes, as pessoas não estão dispostas a gastar, pois o ambiente de um aeroporto traz um nível de estresse muito alto. Os passageiros ficam preocupadas em fazer o check-in, passar pelas etapas de embarque, e por fim, quando estão na espera do voo eles ficam relaxadas.
"Nesse período elas estão tranquilas e é importantes investir nas pessoas que estão na sala de embarque. Você tem que incentivar a circulação delas, que elas levantem e andem. Uma pesquisa recente mostrou que apenas 20% dos passageiros querem comprar".
O estresse dos passageiros também pode estar relacionada a falta de informação, segundo Mirza. Ele destaca que os aeroportos no País precisam estar atentos aos diversos fatores que envolvem a operação. "Às vezes os aeroportos se preocupam com o número de passageiros e a uma possível queda. Mas até para o Brasil, que tem sofrido com a desvalorização da moeda, observa que este fenômeno tem incentivado as pessoas a virem mais para o cá", destaca ele.
O consultor diz que, mesmo com redução no número de embarques e desembarques, através de uma gestão eficiente, o terminal poder fazer com que os passageiros que estão viajando aumentem o tíquete médio com compras. Ele também enfatiza o atendimento como um diferencial para alavancar os negócios.

Cenário

Atualmente a indústria de viagem representa certa de 10% do PIB mundial. Até 2019, na aviação, o mercado de varejo vai valer mais de US$ 60 bilhões. Além da internet ou shopping channel, o mercado de maior crescimento será o da aviação, pois muitos investidores estão de olho nessa aérea, destacou o consultor.
Prova disso, foi o avanço nos negócios em terminais no País, que foram elevados através do programa de concessão do governo federal. O aeroporto do RIOgaleão, concedido em 2013 à iniciativa privada, tem administração mista, sendo 49% da Infraero, e 51% de um consórcio liderado pela Odebrecht Transport e Changi. O grupo vencedor investiu R$ 19 bilhões para arrematar o terminal por os 25 anos.

Potencial

Hoje, no Brasil, acontecem 0,5 viagens por habitante, enquanto que em países mais maduros esse valor é 1,7, de acordo com um estudo sobre o setor aéreo, da McKinsey&Company. O estudo foi apresentado no Airport City, que aconteceu na última quarta-feira (7) e ontem (8), na capital paulista.


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DCI
11
CGM/DIM/Depto de Informações – Clipping

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